Em um mundo cada vez mais digital e conectado, a economia gig se apresenta como uma força de transformação profunda no mercado de trabalho.
Para investidores atentos, entender esse fenômeno é essencial para identificar oportunidades sólidas e obter retornos diferenciados.
A economia gig envolve atividades pontuais e independentes realizadas por profissionais que prestam serviços sob demanda, normalmente mediados por plataformas digitais.
Dentre as principais categorias, encontram-se motoristas de aplicativos, entregadores de comida, freelancers de design, programação e marketing, além de prestadores de serviços domésticos como limpeza e montagem de móveis.
Em essência, o modelo se baseia na flexibilidade e remuneração por tarefa, o que permite que empresas dimensionem sua força de trabalho de forma ágil e que profissionais escolham projetos sem vínculos empregatícios tradicionais.
Além disso, a tecnologia de geolocalização e algoritmo de correspondência de oferta e demanda otimiza a alocação, reduzindo custos operacionais e tempo de espera para usuários e prestadores de serviços.
Segundo estudos de mercado, o valor total da economia gig atingiu US$ 347 bilhões em 2021, com projeções de crescimento para US$ 455 bilhões até 2023.
Pesquisa da McKinsey e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que mais de 50% da força de trabalho global participará de alguma forma de trabalho autônomo, temporário ou sob demanda até 2025.
Nos Estados Unidos, 36% dos trabalhadores se posicionam como freelancers, e projeções da PwC sugerem que esse percentual ultrapassará 40% nos próximos anos.
A Ásia-Pacífico também demonstra forte adesão, especialmente em mercados emergentes como Índia e Indonésia, onde milhões de pessoas recorrem a plataformas de gig para complementar renda e buscar autonomia.
Em termos de setores, estimativas revelam que freelancers de tecnologia e design representam cerca de 59% dos profissionais ativos na gig economy global, apontando para a relevância das habilidades digitais.
No Brasil, a dinâmica segue em linha com as tendências internacionais, mas com características próprias e desafios únicos.
Dados do Ipea indicam que 1,7 milhão de pessoas atuam no setor de transporte por aplicativos, representando 31% do total de profissionais da área. Entre 2016 e 2021, o número de entregadores avançou de 30 mil para 278 mil, um salto de 979,8%.
Pesquisa do IBGE de 2025 aponta quase 1,4 milhão de motoristas de aplicativo e 475 mil entregadores focados em delivery, muitos sem registro formal (CNPJ), revelando um nível significativo de informalidade.
Além de transporte e logística, o Brasil concentra cerca de 7,4 milhões de trabalhadores por conta própria em diversas atividades, o que equivale a 21% da população economicamente ativa.
Esses motores estruturais atuam de maneira sinérgica, criando um ambiente propício para inovação e surgimento de novos modelos de negócio.
Para aproveitar o potencial da economia gig, investidores devem considerar múltiplas frentes de atuação, analisando riscos e maturidade de cada segmento.
Uma avaliação criteriosa de mercado, combinada com parcerias estratégicas, pode acelerar a implementação de soluções e garantir vantagem competitiva.
Além disso, fundos de venture capital especializados em tecnologia para trabalho sob demanda têm proporcionado retornos expressivos ao identificar marcas emergentes e escaláveis.
O crescimento rápido do setor gerou controvérsias sobre direitos trabalhistas, jornadas de trabalho e benefícios.
Na União Europeia, a classificação jurídica de gig workers é tema de propostas de lei que podem reclassificar prestadores como empregados, alterando custos operacionais das plataformas.
No Brasil, iniciativas legislativas ainda avançam de forma tímida, mas ganham força com debates sobre formalização, tributação e proteção social dos profissionais.
Investidores devem monitorar essas movimentações e apostar em negócios que promovam proteção e valorização dos gig workers, mitigando riscos de exposição legal e reputacional.
Com projeções indicando que mais da metade da força de trabalho global abraçará o modelo independente até 2025, a economia gig deixa de ser tendência para se tornar base estruturante do mercado.
O Brasil, reconhecido como líder em crescimento anual do setor, oferece terreno fértil para iniciativas inovadoras em fintech, educação e gestão de talentos.
Para investidores, o momento é oportuno: alocar recursos em startups e plataformas que unam inovação tecnológica e responsabilidade social pode gerar impactos positivos e retornos consistentes.
Nesse cenário, recomendamos:
Investir na economia gig é, acima de tudo, contribuir para a construção de um ecossistema laboral mais flexível, eficiente e justo.
A chave do sucesso está em aliar visão de longo prazo a práticas ágeis, apostando em tecnologia, formação e engajamento social para colher resultados duradouros.
Referências