>
Crédito e Financiamento
>
Crédito e Mercado: Como as Variações Econômicas Afetam Você

Crédito e Mercado: Como as Variações Econômicas Afetam Você

23/01/2026 - 15:03
Fabio Henrique
Crédito e Mercado: Como as Variações Econômicas Afetam Você

Em um cenário de incertezas, compreender as relações entre economia e crédito torna-se essencial para preservar recursos e aproveitar oportunidades. Este texto aborda quatro eixos fundamentais para que você possa tomar decisões financeiras mais conscientes e proteger seu futuro.

Cenário Macroeconômico Atual e Futuro

O Brasil vive um momento de crescimento econômico moderado, com projeções de PIB na faixa de 2% ao ano, refletindo um mercado de trabalho com vagas limitadas e impulso reduzido ao consumo interno. Embora haja sinais de expansão, a força motriz do investimento privado permanece contida.

A inflação acumulada em 12 meses está acima da meta, em torno de 5,1%, impulsionada por serviços com baixa produtividade. Para conter essa pressão, a taxa Selic manteve-se elevada, perto de 15% a 16%, resultando em alto custo do dinheiro no mercado. A combinação de inflação sobe e juros altos gera um ambiente desafiador para famílias e empresas.

Adicione-se a isso o risco fiscal, com dívida pública em cerca de 80% do PIB e gastos crescentes de estados e municípios. Essa deterioração compromete a confiança de investidores e eleva o prêmio de risco, pressionando ainda mais as taxas de juros. No âmbito global, tensões comerciais e incertezas geopolíticas limitam a perspectiva de queda acentuada de juros no curto prazo.

Perspectivas para 2025–2026 indicam moderação do crescimento econômico brasileiro, consequência das políticas monetárias e fiscais restritivas, além do cenário externo incerto. A cautela ao buscar crédito será fundamental neste período.

Dinâmica do Mercado de Crédito

Com a Selic em níveis historicamente altos, o crédito torna-se mais caro e seletivo por parte dos bancos. Instituições financeiras elevam as exigências para aprovar empréstimos, pedindo garantias robustas e comprovações de renda detalhadas. O resultado é a redução de prazos e o aumento das parcelas mensais.

A transmissão dos juros básicos para as taxas de empréstimo ocorre de forma gradual. Estudos mostram que cada ponto percentual a mais na Selic eleva em cerca de 0,7 ponto as taxas cobradas pelos bancos após alguns meses. Entretanto, aproximadamente 40% do crédito é direcionado pelo governo, com taxas menos sensíveis ao juro básico, o que dilui parte do impacto imediato.

Mesmo com juros elevados, observou-se crescimento de 11,5% no crédito bancário em 2024 e expansão de 30% na emissão de títulos privados. Esse paradoxo se explica pela combinação de fatores cíclicos — desemprego em queda e aumento de renda — e estruturais, como a atuação de fintechs e a maior concorrência no setor financeiro.

No entanto, os indicadores já apontam sinais de desaceleração: as contratações de novos empréstimos vêm recuando desde abril, e o apetite ao risco das instituições financeiras diminuiu, refletindo uma tendência de maior rigor na concessão.

Impactos Diretos na Vida de Pessoas e Empresas

As famílias sentem os efeitos no bolso ao planejar compras de bens duráveis ou financiar estudos. Empresas, por sua vez, veem o custo de capital subir, afetando investimentos em expansão e contratação de funcionários.

Entre os principais impactos, destacam-se:

  • Dificuldade para financiar projetos pessoais, como reformas ou aquisição de veículos;
  • Aumento das despesas mensais com parcelas, reduzindo a capacidade de poupança;
  • Restrição no acesso a empréstimos para pequenos e médios empreendedores;
  • Pressão sobre a margem de lucro de empresas que dependem de capital de giro.

Em meio a esse cenário, a inadimplência tende a subir, principalmente entre famílias de baixa renda que já lidam com a inflação de alimentos e serviços essenciais. Esse ciclo reforça o comportamento mais cauteloso das instituições financeiras, restringindo ainda mais o crédito aos mais vulneráveis.

Estratégias de Proteção e Planejamento Financeiro

Para enfrentar esses desafios, é fundamental adotar estratégias de reserva de emergência e construir um planejamento sólido. Seguem algumas recomendações:

  • Constituir fundo de emergência equivalente a três a seis meses de despesas;
  • Renegociar dívidas com juros mais altos e buscar prazos adequados ao seu fluxo;
  • Incluir diversificação de investimentos em renda fixa, fundos e alternativas conforme perfil de risco;
  • Controlar gastos com ferramentas de orçamento e revisar assinaturas e serviços regularmente.

Além disso, considere:

  • Reduzir o uso de crédito rotativo e cartões de alta taxa de juros;
  • Avaliar linhas de crédito com garantias menos onerosas, como consignados para servidores e aposentados;
  • Manter relacionamento com bancos e fintechs para aproveitar melhores condições;
  • Investir em capacitação financeira pessoal e empresarial.

Adotar essas práticas é crucial para proteger seu patrimônio de riscos e garantir maior tranquilidade diante das oscilações do mercado.

Em um ambiente de juros altos e incertezas, a chave para prosperar está no equilíbrio entre cautela e planejamento. Ao compreender o panorama macroeconômico, a dinâmica do crédito e seus reflexos na vida cotidiana, você poderá construir uma base financeira sólida e aproveitar oportunidades quando o mercado se estabilizar.

O crédito pode ser um aliado para alcançar sonhos e crescer profissionalmente, desde que utilizado com responsabilidade. Comece hoje mesmo a traçar seu planejamento e fortaleça suas finanças para enfrentar qualquer variação econômica.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique é redator financeiro no poupemais.org. Ele se dedica a simplificar temas como orçamento, uso consciente do crédito e planejamento financeiro, oferecendo informações claras para apoiar decisões financeiras mais seguras.